AVÓS RECUSAM PARTICIPAR NAS EXÉQUIAS DO NETO POR NÃO TEREM SIDO INFORMADOS SOBRE A DOENÇA EM SUSSUNDENGA

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Um homem residente no bairro Nhamatiquite, no município de Sussundenga, província de Manica, diz estar indignado com a decisão dos seus pais de não participarem nas cerimónias fúnebres do seu filho, alegadamente por não terem sido informados atempadamente sobre a doença que vitimou o neto.


Segundo Samuel André, o filho esteve doente durante cerca de duas semanas, mas decidiu não comunicar aos pais sobre o seu estado de saúde, alegando que, em ocasiões anteriores, quando informava sobre doenças dos filhos, os progenitores não se deslocavam para visitá-los.


“Meus filhos, quando ficam doentes, costumo informar os meus pais, mas eles não têm vindo visitar. Desta vez, meu filho ficou doente e não os avisei. Quando faleceu, comuniquei, mas não vieram participar, justificando que não os tinha informado sobre a doença”, explicou.


A Rádio Comunitária GESOM procurou ouvir os pais de Samuel, residentes na localidade de Munhinga, no distrito de Sussundenga, que confirmaram não ter participado nas cerimónias fúnebres do neto.


Os progenitores justificam a ausência pelo facto de, segundo eles, não terem sido informados sobre a doença do neto enquanto este ainda estava vivo.


Os pais recordam ainda um episódio anterior em que um dos netos teria ficado doente e, segundo o seu relato, Samuel teria insistido para que procurassem curandeiros, com o objetivo de descobrir as supostas causas da enfermidade.


Eles afirmam ter recusado, alegando que nunca recorreram a curandeiros para procurar explicações sobre doenças ou problemas familiares.


“Nós não participámos porque não fomos avisados. Da outra vez que um dos meus netos ficou doente, o nosso filho obrigou-nos a ir aos curandeiros para ouvir as causas da doença. Nós recusámos porque nunca procurámos curandeiros desde pequenos. Depois, ele acusou-nos de que, se estávamos a negar, era porque sabíamos as causas das enfermidades que afectavam os netos”, afirmaram.


Os pais dizem ainda ter interpretado a falta de comunicação sobre a doença como uma possível acusação contra eles.


“Se o nosso filho não nos informou sobre a doença durante duas semanas, é porque tinha a certeza de que nós somos responsáveis pela doença do nosso neto. Só nos avisou depois da morte. Isso não é bom. Já que somos considerados feiticeiros, decidimos não participar nas cerimónias fúnebres do nosso neto”, justificaram.


Por sua vez, Samuel reconhece que errou ao não comunicar os pais sobre o estado de saúde do filho, mas não se pronunciou sobre as alegações de que teria acusado os progenitores de serem responsáveis pela doença do neto.

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