
Uma mulher foi condenada pelo homicídio da enteada de cinco anos, após obrigá-la a tomar um banho com água a ferver, em 1978, no sul de Londres, em Inglaterra. O caso voltou à Justiça quase 50 anos depois, após o irmão mais velho da vítima denunciar a madrasta às autoridades.
Durante o julgamento, Desmond Bernard, atualmente com 56 anos, descreveu, emocionado, os maus-tratos sofridos na infância às mãos da madrasta, Janice Nix. Segundo o testemunho, a mulher agredia as crianças com cintos, queimava-as com cigarros, mordia-as e obrigava-as até a comer comida de gato.
Desmond relatou que, no dia 6 de junho de 1978, Nix ficou “furiosa” depois de Andrea Bernard ter desobedecido às suas ordens para permanecer em casa a limpar. Pouco depois das agressões, começou a ouvir a água do banho a correr.
“Eu ouvia a Janice a gritar: ‘Entra no banho’. E a Andrea dizia: ‘O banho está demasiado quente, mamã’”, contou Desmond em tribunal, citado pela BBC. “Depois ouvi gritos, barulho de água e, de repente, tudo ficou em silêncio”, recordou.
Ao chegar à casa de banho, encontrou a madrasta com Andrea nos braços, inconsciente e enrolada numa toalha. Segundo o testemunho, Janice Nix pediu-lhe então para dizer a todos que tudo tinha sido um acidente ocorrido no jardim, prometendo que nunca mais o agrediria.
“E eu menti. Contei essa história a toda a gente”, admitiu Desmond. “Não me sentia protegido. Só queria que as agressões parassem”, confessou, acrescentando que vivia em “constante medo”.
Andrea Bernard acabou por morrer no hospital, a 13 de julho de 1978, mais de um mês após sofrer queimaduras graves em metade do corpo.
Em tribunal, Desmond explicou que decidiu denunciar a madrasta décadas depois porque já não conseguia continuar a carregar o peso do sucedido e queria “colocar o fardo onde realmente pertencia”.
Após a condenação, Desmond divulgou um comunicado no qual afirmou que o veredito traz “um sentimento de justiça e responsabilização” pelos “acontecimentos horríveis e trágicos” ocorridos há 48 anos.
“Embora nenhum veredito possa trazer Andrea de volta ou apagar a dor causada à minha família, espero que esta decisão envie uma mensagem clara de que estas ações têm consequências e que as vítimas nunca devem ter medo de denunciar, independentemente do tempo que tenha passado”, declarou.
Segundo David Malone, procurador-geral adjunto em Londres, não existe um prazo definido para que vítimas de abusos decidam denunciar os crimes. Algumas avançam imediatamente, enquanto outras demoram décadas até conseguirem falar sobre o sucedido.
Fonte
Por Ben Whitley / Digital Mídia Global TV