Banco de Moçambique e Governo em posições diferentes sobre combustíveis

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O Governo e o Banco de Moçambique apresentam posições divergentes quanto à eventual adopção de medidas de mitigação para reduzir o impacto de uma possível subida dos preços dos combustíveis, num contexto marcado pelo agravamento das tensões no Médio Oriente.

A situação tem levantado dúvidas sobre a consistência da comunicação económica oficial e sobre a estratégia a seguir caso os preços internacionais continuem a pressionar o mercado interno.

Governo admite mecanismos de estabilização

No dia 10 mês em curso, durante o briefing do Conselho de Ministros, o secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, admitiu a possibilidade de o Executivo accionar mecanismos de estabilização para compensar eventuais perdas de rentabilidade das empresas distribuidoras, caso se verifique um agravamento significativo dos custos no mercado internacional.

A posição foi interpretada como uma abertura para medidas de amortecimento que poderiam ajudar a evitar uma repercussão directa e imediata nos preços pagos pelos consumidores.

Banco central afasta subsídios

Contudo, numa intervenção realizada na segunda-feira, 23 de março, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afastou o recurso a subsídios como instrumento para conter o aumento dos preços dos combustíveis.

Sem esclarecer se houve uma revisão das projecções económicas ou mudanças na avaliação do cenário internacional, a posição do banco central reforçou a percepção de falta de alinhamento institucional sobre o tema, segundo a emissora MBC, que analisou a comunicação das autoridades.

A aparente contradição poderá gerar incerteza nos mercados e entre os agentes económicos quanto às medidas concretas que poderão ser adoptadas nos próximos meses.

O debate surge numa fase em que o agravamento do conflito no Médio Oriente tem contribuído para a volatilidade dos preços energéticos a nível global, aumentando os riscos de impacto nas economias importadoras de combustíveis, como é o caso de Moçambique.

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