No Banco de Moçambique, a cadeira de Governador parece ter ganho rodas.
Rogério Zandamela saiu depois de dez anos no comando. Waldemar Fernando de Sousa foi anunciado como seu sucessor. Até aqui, tudo normal. O problema é que Waldemar mal teve tempo para se habituar à ideia de ser Governador: cerca de 17 horas depois, deixou de o ser.
E assim, aquilo que começou como uma simples sucessão no banco central transformou-se numa verdadeira novela institucional, com direito a troca de personagens em velocidade acelerada.
A história tem um detalhe que torna tudo ainda mais curioso.
Em 2019, Waldemar de Sousa deixou o Conselho de Administração do Banco de Moçambique, durante a liderança de Rogério Zandamela. Sete anos depois, a vida deu uma volta completa. Zandamela deixou o cargo de Governador e Waldemar foi escolhido para substituí-lo. Quem saiu da Administração em 2019 acabou, em 2026, sentado na cadeira do homem que estava no comando quando saiu.
Só que houve um pequeno problema: a cadeira não era para ficar ocupada por muito tempo. Waldemar foi nomeado Governador por Daniel Chapo na segunda-feira, 31 de Agosto. A notícia foi anunciada. A sucessão parecia consumada. O novo Governador estava definido. Mas, aparentemente, faltou combinar alguma coisa com o relógio. Menos de 24 horas depois, a Presidência da República revogou a nomeação.
A explicação oficial fala em “questões supervenientes”. Ou seja, Waldemar chegou ao topo do banco central, mas a sua passagem foi tão curta que, para efeitos de calendário, quase parece uma nomeação com prazo de validade. Quando parecia que a história já tinha terminado, surgiu outro nome. Felisberto Dinis Navalha, que inicialmente havia sido indicado para Vice-Governador, foi promovido a Governador.
O homem que estava preparado para ser o número dois passou, de repente, a número um. Para o cargo de Vice-Governadora foi nomeada Benedita Manuel Guimino. E pronto: Zandamela saiu, Waldemar entrou, Waldemar saiu e Navalha entrou. Tudo isto em pouco mais de um dia.
A sucessão deixa uma situação politicamente e institucionalmente invulgar.
Waldemar de Sousa foi escolhido para substituir Zandamela, mas não chegou a completar sequer um dia inteiro no cargo.
A Presidência justifica a reviravolta com “questões supervenientes”, mas a expressão deixa uma pergunta inevitável: que questões apareceram depois da nomeação e foram suficientemente fortes para derrubar uma decisão presidencial em apenas 17 horas?
Fonte Ecotv
