O Banco de Moçambique publicou o relatório estatístico sobre as reclamações apresentadas por consumidores financeiros contra instituições bancárias e de moeda electrónica de Moçambique relativas ao primeiro semestre de 2026. O documento revela um impacto financeiro direto significativo para os consumidores, resultando na devolução forçada de 73.243.072,00 MT aos clientes devido a cobranças indevidas de comissões e encargos.
Entre as grandes instituições financeiras com mais de um milhão de clientes, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) liderou o volume de queixas, acumulando 156 reclamações, o que representa 32% do total registado nesse grupo, seguido pelo Banco Internacional de Moçambique (BIM) com 81 reclamações. No segmento de carteiras móveis e moeda electrónica, a Vodafone M-Pesa registou 26 queixas, enquanto a M-Mola contabilizou 18.
No grupo de instituições de média dimensão, com carteiras entre 100 mil e um milhão de clientes, o Absa Bank Moçambique destacou-se negativamente com o maior índice de reclamações (17,2), acumulando 37 queixas, seguido de perto pela Bayport com um índice de 15,1. Em termos de volume bruto neste escalão, o Standard Bank foi o que registou o maior número absoluto, com 42 reclamações formais. As principais matérias que motivaram a insatisfação dos utilizadores incluíram problemas com crédito, contas bancárias, caixas automáticas (ATM) e transferências.
Como resposta a estes indicadores, o regulador financeiro nacional confirmou a aplicação de medidas correctivas severas. Além das ordens de reembolso financeiro já executadas, foram emitidas directrizes específicas para a correcção imediata de irregularidades operacionais, a par da realização de inspecções extraordinárias e reuniões de monitoria contínua com os conselhos de administração das entidades visadas.
