O activista de direitos humanos Prof. Adriano Nuvunga dirigiu uma carta pública ao Presidente da República, Daniel Chapo, na qual manifesta preocupação com o anunciado julgamento de Venâncio Mondlane, na sequência das manifestações pós-eleitorais de 2024.
Na carta, Nuvunga defende que a crise política resultante das eleições deve ser enfrentada através do diálogo e de soluções políticas, considerando que as manifestações envolveram milhares de cidadãos e ocorreram num contexto de profunda desconfiança nas instituições eleitorais.
O activista reconhece que actos criminosos devem ser investigados e responsabilizados com base em provas, mas questiona a decisão de atribuir a Venâncio Mondlane responsabilidade criminal pela contestação popular.
Nuvunga também manifesta preocupação com a independência efectiva do Ministério Público em processos politicamente sensíveis, recordando que o Procurador-Geral da República é nomeado pelo Presidente da República.
Na carta, o activista cita ainda antigos Presidentes de Moçambique, nomeadamente Joaquim Chissano, Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Armando Guebuza? — apontando que, em momentos de crise, anteriores lideranças recorreram a soluções políticas e acordos de paz para ultrapassar conflitos.
Por fim, Adriano Nuvunga afirma que não pede interferência nos tribunais, mas solicita ao Chefe do Estado liderança para encontrar uma solução constitucional e legal que permita preservar a justiça sem comprometer a paz.
Segundo o activista, Moçambique precisa de verdade sobre as eleições, justiça para as vítimas e de um diálogo que seja verdadeiramente inclusivo.
