Semanas após os protestos anti-imigração promovidos pelo grupo March and March, centenas de máquinas de costura continuam paradas em Newcastle, o principal centro têxtil da província de KwaZulu-Natal. A campanha visava libertar empregos num país onde um terço da população está desempregada, mas a fuga em massa de trabalhadores estrangeiros deixou o sector sem mão-de-obra qualificada.
Empresários locais explicam que perderam entre 12% e 19% do pessoal. A maioria dos imigrantes, vindos do Eswatini e do Lesoto, possuía experiência técnica difícil de substituir rapidamente por nacionais. Por outro lado, o sindicato do sector (SACTWU) sustenta que as vagas não são preenchidas por locais devido aos salários extremamente baixos, muitas vezes inferiores ao salário mínimo de 30,23 rands (1,83 dólares) por hora.
Os donos das fábricas afirmam que não conseguem aumentar os salários por conta do baixo preço pago pelas grandes marcas por cada peça produzida. A crise soma-se às recentes inspecções governamentais contra o trabalho ilegal, que resultaram no cancelamento de encomendas por parte dos retalhistas.
Empresários alertam que o impacto combinado dessas acções pode levar ao fecho definitivo de várias unidades fabris, resultando na perda de ainda mais postos de trabalho no país.
