
A emblemática vila da Namaacha celebrou, no passado dia 20 de Abril, o seu 62.º aniversário de elevação a essa categoria. Mas, entre discursos oficiais e exaltação do potencial turístico, emergiu um contraponto inesperado: uma onda de contestação juvenil nas redes sociais, que protestavam os problemas estruturais ainda vividos pelos mais de 61 mil habitantes.
Sem marchas, sem concentrações e longe das ruas, jovens namaachenses transformaram plataformas digitais em palco de protesto. Empunhando cartazes físicos e digitais partilhados massivamente no Facebook, WhatsApp e Instagram, denunciaram aquilo que consideram ser um problema.
As celebrações oficiais, lideradas pelo Presidente do Conselho Municipal, Paulo Chitiva, e pelo Administrador do Distrito, Carlos Mourinho, tiveram forte enfoque social e governativo. Uma feira de saúde prestou assistência à população, enquanto organizações como a AMODEFA alertaram para a persistência das uniões prematuras, sobretudo nas zonas mais recônditas.
Segundo os protestantes, apesar de ser berço de uma das águas minerais mais consumidas no País, muitos residentes continuam a enfrentar dificuldades severas no acesso à água potável nas suas próprias casas.
Como resposta, as autoridades destacaram o avanço do projecto transfronteiriço LONA, desenvolvido em parceria com o Reino de Essuatíni, que prevê a construção da barragem de Pingue. A infraestrutura é apontada como solução estratégica para o défice hídrico, com impacto tanto no consumo doméstico como no desenvolvimento industrial.





