
O Japão teria concordado em pagar em yuan chinês pelo petróleo importado do Irã, numa decisão que chama a atenção no cenário geopolítico internacional, já que o país asiático é um dos principais aliados dos Estados Unidos.
Segundo declarações atribuídas ao chanceler iraniano Abbas Araghchi, em entrevista à Kyodo News, o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação para países que mantêm relações normais com Teerã.
“O estreito está aberto. Só está fechado para nossos inimigos. Para outros países, os navios podem passar”, afirmou o diplomata, acrescentando que a principal condição imposta pelo governo iraniano é que os pagamentos sejam feitos em yuan, moeda da China, e não em dólares.
A decisão surge num momento delicado para o Japão, que depende fortemente do petróleo proveniente do Golfo Pérsico. Estima-se que cerca de 95% do petróleo importado pelo país passe pela região. Desde o dia 16 de março, Tóquio já teria sido obrigado a liberar aproximadamente 80 milhões de barris de suas reservas estratégicas devido às restrições e tensões no tráfego pelo Estreito de Ormuz.
O cenário chama atenção internacional por envolver um membro do G7 e aliado militar de Estados Unidos negociando em moeda chinesa para adquirir petróleo de um país em confronto político e militar com Washington.
Analistas apontam que o Irã tem utilizado o controle de uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo como ferramenta de influência geopolítica, num contexto em que o papel do dólar nas transações energéticas volta a ser questionado. 🌍⛽📉