
A crise interna no PODEMOS está a escalar para níveis sem precedentes, com Hélder Mendonça a exigir uma auditoria às contas do partido e a denunciar alegada gestão danosa, enquanto o presidente Albino Forquilha reage com acusações duras de indisciplina e tentativa de desestabilização interna.
Mendonça submeteu pedidos formais ao Tribunal Administrativo, à Procuradoria-Geral da República e ao Gabinete Central de Combate à Corrupção, exigindo uma investigação independente para apurar o destino dos fundos do partido. O político sustenta que há necessidade urgente de transparência e responsabilização, defendendo que apenas uma intervenção externa poderá repor a verdade.
Em paralelo, avançou com um processo na 11ª Secção Civil do Tribunal Judicial de Maputo, contestando a sua suspensão, que considera ilegal e contrária aos estatutos. Na sua versão, trata-se de uma tentativa de silenciamento político numa altura em que levanta questões sensíveis sobre a gestão interna.
Do outro lado, Forquilha não poupou críticas. O líder do partido afirma que Mendonça, estando suspenso, não pode falar em nome da organização e acusa-o de violar normas disciplinares ao expor assuntos internos na comunicação social. Para a liderança, estas acções não só agravam a situação disciplinar, como ferem a imagem e coesão do partido.
Forquilha vai mais longe e enquadra a postura de Mendonça como parte de uma “agenda obscura”, sugerindo que as denúncias públicas não são actos de transparência, mas sim uma estratégia para criar instabilidade e travar o crescimento do partido como força política relevante. Na sua leitura, levar conflitos internos para a televisão representa um ataque directo à credibilidade do PODEMOS perante o eleitorado.
O presidente defende ainda que divergências devem ser resolvidas nos órgãos internos, sublinhando que a exposição mediática de disputas partidárias configura insubordinação e pode culminar com sanções mais severas, incluindo a expulsão. Considera, igualmente, que a insistência de Mendonça em recorrer à via pública revela mais um acto de retaliação pessoal do que uma verdadeira luta pela transparência.
Num cenário marcado por acusações cruzadas, processos judiciais e forte tensão política, o PODEMOS vê aprofundar-se uma crise que pode ter consequências directas na sua estabilidade interna e na confiança do eleitorado, colocando em causa o futuro da organização no xadrez político nacional.