
O ministro iraniano do Trabalho anunciou um aumento de mais de 60% no salário mínimo, noticiaram ontem, os meios de comunicação locais, vários meses após manifestações antigovernamentais inicialmente desencadeados pela grave situação económica do país.
O país ajusta o salário mínimo anualmente de acordo com a inflação, que disparou sob o peso das sanções internacionais nos meses que antecederam a guerra desencadeada pelos ataques aéreos israelitas e norte-americanos a 28 de Fevereiro.
De acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim, que cita o ministro do Trabalho, "com a aprovação do Governo", o salário mínimo mensal subirá de 103 milhões de rials para 166 milhões durante o próximo ano do calendário persa, que começa dentro de dias.
O Governo anunciou também um aumento semelhante dos abonos familiares. A moeda iraniana está cotada a aproximadamente 1,47 milhões de rials por dólar, de acordo com o "site" Bonbast.
As manifestações foram desencadeadas em dezembro passado pelo elevado custo de vida e pela depreciação da moeda iraniana e rapidamente se transformaram num vasto movimento de protesto de proporções sem precedentes, pedindo a queda do regime iraniano, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979.
As autoridades reprimiram brutalmente os protestos, matando milhares de pessoas em todo o país, segundo grupos de defesa dos direitos humanos.
Os Estados Unidos e Israel desencadearam em 28 de Fevereiro uma ofensiva aérea contra o Irão, que matou logo no primeiro dia de bombardeamentos o seu líder supremo, Ali Khamenei.
Desde então, a República Islâmica tem respondido através de ataques com mísseis e drones contra Israel e os países vizinhos do Médio Oriente, visando em particular bases militares norte-americanas, mas também outras infraestruturas, sobretudo energéticas