
O Ministério Público queniano anunciou, esta quarta-feira (11), novas acusações contra Paul Nthenge Mackenzie, líder de uma seita religiosa já implicado na morte de centenas de fiéis em 2023.
De acordo com as autoridades, Mackenzie passa agora a responder por mais 52 mortes registadas em 2025, na localidade de Binzaro, situada a cerca de 30 quilómetros da floresta de Shakahola. O suspeito encontra-se detido desde abril de 2023 e já enfrenta processos por homicídio, homicídio involuntário e radicalização.
As investigações indicam que Mackenzie atuava como mentor e supervisor das práticas da seita, utilizando ensinamentos extremistas para atrair seguidores para zonas isoladas. Nesses locais, os fiéis eram alegadamente incentivados a jejuar até à morte, sob a promessa de “encontrar Jesus” antes do alegado fim do mundo.
As novas acusações surgem na sequência da exumação de 34 corpos e da descoberta de mais de 100 partes humanas em avançado estado de decomposição na região de Binzaro, entre julho e o final de 2025. A operação foi desencadeada após o testemunho de um sobrevivente que conseguiu escapar da seita e denunciou a morte dos próprios filhos no local.
Na audiência realizada hoje, oito arguidos foram presentes a tribunal, entre eles Mackenzie e Sharleen Temba Anido, apontada como instigadora de um segundo massacre. Os réus são acusados de participação em organização criminosa, radicalização, cumplicidade em atos terroristas e homicídio involuntário.
Segundo o Ministério Público, entre janeiro e julho de 2025, Mackenzie e Anido integravam uma seita altamente radicalizada, cujos rituais colocavam em risco a vida dos seguidores.
Pelo menos 52 pessoas terão morrido nesse período, em circunstâncias associadas a jejuns prolongados motivados por crenças apocalípticas.
Os acusados declararam-se inocentes e têm nova audiência agendada para o dia 4 de março.
O denominado “caso Shakahola”, tornado público em 2023, já levou à exumação de cerca de 450 restos mortais, gerando forte comoção nacional. O episódio expôs a vulnerabilidade de milhares de fiéis no Quénia, país de maioria cristã e com um elevado número de igrejas independentes, muitas vezes sem supervisão adequada.
Fonte: Lusa / Digital Mídia Global TV